Simplicidade

"Sintaxe à vontade"

15:00

Saudade

Sentimento simplificado por Caribé |


Que sonho que se sonhava,
Agora ja não, nada.

Que alma que se despia,
De toda saudade, da pouca vida,
Agora se mata, se esvazia.

Que canto que se cantava,
Se encatava de si, admirava.
Agora o canto é canto de quina, de sina.

E como era pequena a noite, e como era lindo o dia!
Agora a noite é insone, e o dia é preguiça.

Brincavam? Agora se batem, se agridem.
Suspiravam? Agora debocham.
Das flores e das serenatas;
Das poesias e das cartas.

Que saudade da sorte.
Como me cansa o azar.

Que saudade que tenho do tempo em que eu não vivia.
Que vontade de ir lento, de encontro a vida.
Mas o tempo me acelera.

E me nasceu errado, me nasceu tarde,
Me nasceu saudoso.
Me nasceu aqui, agora.
E eu queria lá, antes.

Diogo Caribé
01/03/10
01:40

01:05

A próxima distância

Sentimento simplificado por Caribé |


Primeiro calculou-se a distancia, logo após o medo.
mediu-se no vendo o próximo futuro, e esbarrou-se no passado.
depois olhou para as próprias pegadas que pareciam um exército de dois,
em posição de combate, esperando a próxima ordem.
O céu está lavado, mas lá ao longe tem sujeira vindo.
E o silêncio faz barulho, e parece que tudo espera.
O ar travado nos pulmões, e o coração parece querer ir sozinho.
E depois dessa espera, o passo descalço, sangrando,
andou.

Diogo Caribé
26/02/10
12:55

Sentimento simplificado por Caribé |


Há cada dia que passa eu sinto a bohemia cada vez mais invadindo minhas vontades.
Aí eu fico naquela: ser feliz ou ser alguém?
por que essa semana consegui um emprego e fiquei triste...
mas agora pouco um amigo me chamou pra trabalhar num bar e eu estou irradiante.
Logo depois a dona de um bar me chamou pra fazer um som lá, pq ela se amarrou na minha.
Essa minha onda de cantar sem caixa e sem microfone, sabe-se la pq ela se amarrou nisso, mas fico feliz. E eu vou la ela me da algumas cerveja e uma porção de batatas e eu me sinto ótimo. E outras pessoas sobem no palco pra tocar algumas canções e isso é otimo também. Porque ninguem faz tipo, todo mundo é permitido ser louco na bohemia. E outro dia fizemos uma roda de samba numa pracinha com uns amigos do Fariofa Carioca, e foi ótimo também. pq ninguem se importava com o que o outro era, se ela era algo ou se nao era. pq ninguem sozinho era nada, mas todo mundo junto era uma galera se divertindo e cantando músicas de madrugada. E isso é mais importante do que todo o resto que diz que isso não é vida. Pro inferno, isso sim é vida!

12:50

Desmentira

Sentimento simplificado por Caribé |













Eu quero é filtrar meu sangue com teu oxigênio,
Me estabelecer em seus intervalos e ser parte das tuas rimas,
Me embreagar das tuas virtudes, Do teu perfume,
Vagabundar pelas esquinas do teu coração,
Te desvendar com meus rabiscos sem sentido,
Confirmar minha presença em teu pensamento,
E me enchergar de ponta-cabeça na tua retina,
Me expulsar de mim para morar em você,
Me contradizer, me reinventar, me desmentir,
Meu coração bate agora descompassado, disritmado
Como a agonia das minhas canções, dos meus versos,
E pela magnetica da tua presença, Se entorpece em desespero,
E bate selvagem e forte quanto me olhas devagarinho,
Meio que sem querer,
Quero do teu mel levar um porre,
E curar minha ressaca com teu bom dia,
Ser ninado pela tua respiração
E te materializar desse meu desejo
De te ter aqui quando estas assim, tao longe.


Diogo Caribé
22/2010 21:31

16:44

quiquiprocó barrococó

Sentimento simplificado por Caribé |


há muito se sabe que se sabe pouco
e há muito se espera pelo que pouco se luta
e vivemos nossa arte contemporanea desse barroco futurista
mesclando nosso alfabeto com nosso iliterário mundo de Alice
um mundo sem aquelas maravilhas, apenas o imaginário
um quiquibrocó neo impressionista, com fantoches e vudus
bonecos de porcelana, recalcados e androginos
e os jubalistas saudosistas teimam em prever os acontecimentos
e a arte derivada desse novo milênio,
derrapa nas curvas desse famigerado progresso
transformando cidadãos em caçadores de recompensas
disfarçados por títulos e honrrarias,
essa art nouveau que nos mata de medo
Essas peripécias causadas pelo maldito destino,
e após a tristeza procuramos sem encontrar nossa catarse,
nossas moedas presa na fonte da juventude,
fazem brilhar os olhos dos achacadores,
que sem dó, nem tampouco, piedade
arranham com suas unhas sujas
nossa lataria.

Diogo Caribé

"Num dia desses sem nada pra fazer,
pego a caneta faço ela correr,
mas ela para, parece cansada,
a tinta ta borrada e a palavra incompleta,
não tenho nada pra escrever"

17:59

A morte em vida

Sentimento simplificado por Caribé |

Nós somos capazes de criar coisas,
se apaixonar por elas, crer de todo coração que é real
e se frustar quando tudo se torna inverdade
capazes de se entregar ao desconhecido
enfeitamos nossas carapaças
para fazer de nos algo a ser julgado
buscamos a imortalidade e nos deparamos com a morte em vida
aquela dos olhos vazios
esperamos a verdade mas trazemos do berço a falsidade
de fingir o choro para ganhar o que se quer
e quando chora de verdade
a lagrima ja sai seca e sem vontade de sair
pq foi gasta inadequadamente
e percebemos que amamos quando a tal coisa amada esta la na frente
em outro rumo, contrário aos seus passos.
e a gente ri, dança, dança e ri, dança, ri e ri e ri
e quando ta feliz, fica parado e chora
mas a lágrima...é tão...pesada.
e tem o anseio pela pena, disfarçada de compaixão,
de respeito.
respeito a alguem que nem a si se dá
a si se vende, de si enjoa
e tenta mudar, copiar dos livros, imitar dos filmes, se adequar aos outros.
personagens que vivem a nossa volta e são suficientemente abstratos, sem vida
sem morte, sem graça, invisíveis.
homem primitivo, que sem receber reclama
que ao dar espera a troca e o lucro.
sente vergonha de si mesmo e do outro,
e ri daqueles que nao hajam conforme tuas leis por outro criadas
seus padrões por outros estabelecidos,
sua beleza por outros inventada.
mas tem a chuva, o sol, os passarinhos que cantarolam alegremente
tem o balé, a ópera, a praia, o mar
o por do sol, o nascer do sol, a dança do sol, o rodopio do sol
o girassol, a lua cheia, nova, vazia, velha.
tem toda essa beleza fajuta dos sacos plásticos voando em redemoinho
e a gente finje que ta tudo bem, que é tudo lindo,
e fica puto com toda a violência, com os terremotos, com Deus,
com Jesus, com os apóstolos, com Judas, com Hitler, com os teletubbies.
mas a gente só assiste, assiste tudo,
só platéia na arquibancada, dando pipoca aos macacos que somos
macacos pelados, que roubam a pele do urso, do tigre
o couro da cobra, o rabo do rato, a pata da barata, o dente do elefante,
a bunda do bitú,
e se sente o máximo fantasiados de palhaços de ternos
agradando sei lá quem com sei lá o que.
tristes são os velhos, que tão perto da morte
percebem o quão grandiosa a vida é
e o quão insignifantes foram perantes essa beleza
que passou tão de repente
por olhos que só sabiam olhar para dentro de si mesmos
triste deve ser Deus, por criar algo tão prejudicial a si mesmo, e para tudo a sua volta.
dizem que Deus nao erra, mas pra mim, e somente pra mim,
Ele cometeu o maior erro de todos
E este aqui, que vos escreve (ou escreve apenas para si mesmo)
é a bilionésima sexta parte desse erro.

18:39

o ultimo perdão

Sentimento simplificado por Caribé |

Quando o semblante é tao bem mais cobiçado
e o coração tao completamente deixado de lado
e por debaixo da poeira de pele morta
maquiando nosso rosto, com suas imperfeições
estão nossa angústias mais profundas
e nossos medos que mais nos agridem
tem quando deixamos nossas luvas secando no varal
e nossas mascaras sendo pisotiadas no chão da avenida
mas ao fim de todo carnaval, la estao nossas condutas sóbrias
onde sobram confusões e faltam coragem
de ser o que nao manda o figurino e que obedece o figurante
por debaixo daquelas roupas bem passadas
camisas bem abotoadas, e sapatos engraxados
e o pó de pele sob a roupa
esconde a sujeira interna que o suor tenta purificar
mas toda aquela atmosfera pesada
sem vento, sem chuva sem nada
deixa td parado intopindo os poros
e mesmo assim, vamos levando
e quando descobrimos o quanto escrotos e sujos fomos
ja nos restam, o que? um pouco mais de 3 horas de vida...
é quando pedimos perdão, do fundo do coração
mas tememos ser tarde demais...

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