Simplicidade

"Sintaxe à vontade"

19:30

Em criação

Sentimento simplificado por Caribé |


Deus criador do milagre,
O diabo da mentira
E o homem do santo
O caminho inventor da estrada
O vinho da ressaca
E o sono do acalanto
O sangue inventor da veia
A noite da ceia
E os olhos do pranto
A distancia inventora da saudade
O riso da amizade
E a feiura do espanto
O passo inventor do samba
O artista da canja
E o sapo do canto
O cheiro inventor da flor
O poema inventor do amor
E a mulher do encanto.



Diogo Caribé

01:37

Clones

Sentimento simplificado por Caribé |

Os olhos sempre erguem-se pro céu clamando respostas e explicações.
Revelam o quão limitados somos perante nossas dificuldades.
Entregamos de bandeja nossas mais profundas fraquezas.
E os pecados amontoam-se pelas ruas ao som do barulho semitonado das sirenes.
Chantageados pela carne, movidos pela sedenta fome de seus personagens.
Pendurando pela noite conversa fiada, em barbantes, presas por pregador.
E voltam para suas casas, para suas tristezas.
Para as angústias que tentam disfarçar com mais uma noite vã.
Vivemos tantas vidas que não temos enrredo para uma história decente.
Somos tão diferentes do que somos, que já nem sabemos mais do ser original.
Somos clones vivendo sob a mesma carcaça.
Em pele e carne viva e alma morta.
Nos esquivamos do amor pois temos medo da mágoa.
Nos esquivamos do abraço pois temos medo do sufoco.
Nos esquivamos de Deus pois temos medo que Ele, de fato, exista.
Não encontramos nossas respostas, pois perdemos tanto tempo 
Olhando para o céu em busca delas 
Que acabam escapando de nossas mãos.



Diogo Caribé














14:21

Amor Utópico

Sentimento simplificado por Caribé |



Se faz bem morena pros meus olhos,
E faz molhado os meus lábios
Que eu vivo pelo recheio da tua boca, a língua.
E eu sou a alegria de te conhecer, 
E sou também a angustia de não lhe encontrar
Quando sua existência meu sentido perceber
Quando pelo meu ar teu cheiro passear
E for menina nos meus abraços apertados
E for mulher nos meus sonhos soltos
Vou desenhar a estrada que passa pelo teu caminho
E ate la meus passos vão andar sozinhos
E nem que leve toda a vida
E te perceba apenas no ultimo dia
Já valeu me amar por te amar
Me fiz mais forte seguindo teu rastro
E mesmo que seja saudade, amo este amor
Se diz minha, me diz tudo, 
E se for beijo, não diz nada
E se for nada, nem apareça
Que prefiro viver do amor a ilusão
Do que ser a tristeza daquilo que me falta

19:08

Da Minha Janela

Sentimento simplificado por Caribé |


Todos os dias, da minha janela,
Olho distante, me vejo distante,
Me desapercebo, me esqueço lá,
Onde nem um passo é capaz de chegar
Onde a solidão é uma boa companhia,
E o vazio que se tem é o que se jogou fora
Tudo que fazia mal e poluía a alma,
Tudo foi banido, a tristeza foi embora.
Da minha janela espriguiço a minha pressa
E transformo a poça d´agua na mais bela das lagoas
Me atiro de longe em pensamento,
Deslizando pelas costas do céu.
repousando no firmamento.
Da minha janela vivo o infinito,
Sinto no paladar o gosto da primavera,
Das flores que nasciam enquanto eu dormia,
Das chuvas que choviam enquanto minha lágrima secava.
Hoje percebo, olhando pela minha janela,
O quanto deixei de fazer, o quanto deixei de sonhar,
O quanto deixei de chorar, o quanto renunciei ao amor.
Hoje vejo o que escapou de mim,
No infinito onde nada mais pode chegar,
Apenas as minhas lembranças,
Para da minha janela, poder me recordar
De tudo aquilo que me faz falta.

17:05

Para pensar...

Sentimento simplificado por Caribé |

                "Esta é a história de um homem a quem eu definiria como um pesquisador.
Um pesquisador é alguém que busca; não necessáriamente alguém que encontra.
Tão pouco é alguém que, necessáriamente, saiba o que anda a buscar.

É simplesmente alguém para quem a vida é uma busca.

Um dia, o pesquisador sentiu que deveria ir até á cidade de Kamir.
Tinha aprendido a respeitar rigorosamente aquelas
sensações que vinham de um lugar desconhecido
de si mesmo.

Por isso deixou tudo e partiu.
Depois de dois dias de marcha pelos caminhos
empoeirados, avistou, ao longe, Kamir.

Um pouco antes de chegar à povoação, chamou-lhe
vivamente a atenção uma colina à direita
da azinhaga.

Estava atapetada de um verde maravilhoso e tinha
uma grande quantidade de árvores, pássaros
e flores encantadores.

Estava inteiramente rodeada por um pequeno muro
de madeira brilhante.

Um portalzinho de bronze convidava-o a entrar.

Sentiu logo que o povoado lhe fugia da memória
e sucumbiu à tentação de descansar por
um momento naquele lugar.

O pesquisador ultrapassou o portal e começou
a caminhar lentamente por entre as pedras brancas
que estavam dispostas ao acaso por entre as árvores.

Deixou que os seus olhos se pousassem como borboletas
em cada pormenor daquele paraíso multicolor.

Os seus olhos eram os de um pesquisador e foi talvez
por isso que descobriu aquela inscrição sobre
uma das pedras:
Abdul Tareg, viveu 8 anos, 5 meses,
duas semanas e 3 dias.

Ficou um pouco surpreendido ao dar-se conta de que
aquela pedra não era simplesmente uma pedra:
era uma lápide.
Sentiu pena ao pensar que um menino de tão
tenra idade estava enterrado naquele lugar.

Olhando á sua volta, o homem deu-se conta que
a pedra ao lado também tinha uma inscrição.
Aproximou-se para a ler.
Dizia: Yamir Kalib, viveu 5 anos,
8 meses e 3 semanas.

O pesquisador sentiu-se terrivelmente comovido.
Aquele lindo lugar era um cemitério e cada pedra
era uma campa.

Começou a ler as lápides uma por uma.
Todas tinham inscrições semelhante:
um nome e o tempo exato de vida do morto.

Mas o que o enleou de espanto foi comprovar
que aquele que tinha vivido mais tempo
mal ultrapassavaos onze anos.

Paralizado por uma dor terrível, sentou-se e
pôs-se a chorar.

O encarregado do cemitério passava
por ali e aproximou-se.

Observou-o a chorar durante algum tempo
em silêncio e perguntou-lhe logo a seguir
se chorava por algum familiar.

-Não, não é por nenhum familiar- disse o pesquisador.
- Que se passa nesta povoação?
Que coisa horrível acontece nesta cidade?
Porque é que há tantas crianças enterradas neste lugar?
Qual é a maldição horrível que pesa sobre estas pessoas,
que as obrigou a construir um cemitério de crianças?

O ancião sorriu e disse:
- O senhor pode tranquilizar-se.
Não existe uma tal maldição.
O que acontece é que temos um costume antigo.

Vou contar-lhe:

"Quando um jovem completa quinze anos,
os seus pais oferecem-lhe um livrete como este
que tenho aqui, para que o pendure ao pescoço.

É tradição entre nós que, a partir deste momento,
de cada vez que alguém desfrute de alguma coisa,
abra o livrete e anote nele:

À esquerda, o que foi desfrutado.
À direita, quanto tempo durou o prazer.

Conheceu a sua noiva e enamorou-se dela.
Quanto tempo durou essa paixão enorme
e o prazer de a conhecer?

Uma semana?
Duas?
Três semanas e meia?
E depois, a emoção do primeiro beijo.
Quanto durou?
O minuto e meio do beijo?
Dois dias?
Uma semana?

E a gestação e o nascimento do primeiro filho?
E as bodas dos amigos?
E a viagem mais desejada?
E o encontro com o irmão que
regressa de um país longinquo?

Quanto tempo durou o desfrutar
dessas situações?
Horas?
Dias?

Assim vamos anotando no livrete cada momento
que desfrutamos em intenso prazer.

Quando alguém morre, é nosso costume
abrir o seu livrete e somar o tempo em
que sentiu prazer para anotarmos
sobre a sua campa.

Porque é esse o que conta à nós
o único e verdadeiro
tempo VIVIDO.!!"
 
(Jorge Bukay)

20:00

Toda forma de mentir

Sentimento simplificado por Caribé |

Ao contrário do que muitos acreditam pensar,
Parecer ser o que não se é
É uma das maiores perícias que um ser humano é capaz de ter.
Daí, pode-se pensar que chega a ser idiotice
Saber ser só de um jeito
Ou pensar apenas de uma maneira.
Se o Criador, com toda a sua sabedoria,
Nos deu em exclusivo o dom de mentir,
de enganar, de sabotar, de infrigir...
Por que então fingir que não usamo-os?!
Para parecermos ser o que não somos, talvez: honestos?!
Saber mentir, no sentido de se fazer acreditar na mentira,
É ainda dom maior. Chega a ser uma dádiva,
Já que é muito o que se recebe por uma boa farsa.
Felizmente, nem todos somos bons atores,
E deixamos escapar em singelos movimentos, o nosso blefe.
Desabençoados os que não sabem mentir,
Não vão a lugar nenhum exceto ao céu.
(nunca a uma mesa de pôquer )
Mentimos a todo momento,
Mentimos tanto que nos esquecemos de dizer a verdade
quando ela deve ser dita.
Talvez seja por mania, ou por vício.
Ou o nosso lado negro que da risadas
Quando fazemos alguém de bobo.
Mentimos sempre e para todos,
Mais ainda para as pessoas que amamos,
Com a desculpa esfarrapada que não queremos magoá-las,
Ou deixá-las infezadas conosco.
Mentimos para nossos pais, mães, namoradas,
professores, para nossos amigos. Mentimos até para nós mesmos.
Mas nos esquecemos do básico;
Talvez por culpa de um ego tão grande,
Capaz de massacrar qualquer tentativa
de mentir sobre nossa modestia,
Isso em relação apenas a nós mesmo,
Por que sabemos que não somos modestos,
Só parecemos ser.
Enfim, o que nos esquecemos (antes que eu me esqueça)
É que mentem para nós também.
A todo momento.
E justamente as pessoas mais próximas,
As que mais amamos,
As que julgamos conhecer bem,
E que temos certeza de ver a veracidade das palavras
num olhar fixo e fajuto.
Há pessoas que mentem sem precisar dizer uma palavra sequer,
Com um sorriso, com um abraço com um beijo, com uma foda, o que for.
O certo é que mentimos, seja por prazer, obssessão,
mania, necessidade, por amor, ou por inocência,
Sei que acima de tudo, mentimos por sobrevivência.

08:09

Razões

Sentimento simplificado por Caribé |

Por nenhuma razão eu escrevo.
Nem por amor, tampouco por mania.
Talvez seja por necessidade,
Ou para cuspir em tinta
As frases que meu coração embaralha.
Por nenhuma mania eu sonho.
Não é por esperança, tampouco por razão.
Talvez seja uma maneira que a alma encontra
Para consolar-me das frustrações
Proporcionadas pelas limitações do meu corpo,
E as fraquezas do meu coração.
Já as razões pelas quais eu vivo,
São tantas quantas as faíscas que o sol esquece no mar
Antes de repousar.
É a força que encontro em cada amanhacer,
É a vontade que tenho de sorrir,
E o desejo de ganhar sorriso de volta;
Das manias com as quais convivo,
Nenhuma me tira mais a razão,
Do que gostar,
E gostar sozinho.
E esta solidão, não de companhia,
Mas de sentimento,
É que embaralha os meus pensamentos,
E tornam vãos os meus sonhos.

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