O homem canta
a tristeza esconde
o futuro inventa
o passado o consome
cervejará toda sexta
aos sábados outra vez
morrerá aos domingos
de tédio talvez
cometerá injúria
condenará sua mulher
a viver consigo
na esperança da fé
será bajulado
com a viola na mão
e contará os centavos
que sobra do quinhão
vai incendiar seu cigarro
com pose imponente
e depois de alguns anos
cairão os seus dentes
será escultura
um busto em bronze
na praça jazida
no lugarejo mais longe
falará tantas linguas
morrerá de fome
vai ganhar no bicho
a sentença de morte
nascerá para a elite
numa breve passagem
foi pobre uma vida
que nao lhe deixa saudade
a viola esquecida
no canto do quarto
só era bem-vinda
nos dias amargos
vestiu sua mulher
de toda avareza
se acostumou no perfume
da vida duqueza
numa tarde cinzenta
de um breve domingo
viu as roupas jogadas
e duas taças de vinho
a vista escura
a faca na mão
é sangue e perfume
são dois corpos no chão
se afastou inocente
tropeçou no violão
espalhou querozene
derrubou o lampião
e lembrou sorrindo
das serestas que fez
e num triste domingo
morreu outra vez
Diogo Caribé
Assinar:
Postagens (Atom)
Visitas
Quem sou eu

- Caribé
- Apenas mais um rapaz latino americano, estudante de história, sem nenhum trocado no bolso.
Categorias
- Contos (5)
- Críticas (6)
- Homenagens (2)
- Poéticas (8)
- letra de música (1)
- loucuras (1)
Canções
"Drão, os meninos são todos sãos. Os pecados são todos meus. Deus sabe a minha confissão.
Não há o que perdoar. Por isso mesmo é que há
De haver mais compaixão" (Gilberto Gil)
Cabeças pensantes
-
-
Pequena reflexão - LuzHá 11 anos
-
-
.ReticênciaS .Há 12 anos
-
E se..?Há 13 anos
-
Longe de VocêHá 13 anos
-
-
-
Be Happy!!Há 15 anos
-
-
-
-
Simplicidade
O simples é mais notável