Eu sou esse que aqui, em mim, habita
esse que olha por tras desses olhos
as vezes pra dentro, as vezes pra fora.
Sou esse que sente esse gosto amargo, as vezes doce
de outra lingua.
Com esses pés que evitam pisar nas linhas das calçadas,
ou sempre no preto, ou sempre no branco.
Este que tem hábitos idiotas mas que sem eles seria
frustrado por não fazer aquilo que realmente tem vontade de fazer,
Este que quando olha tudo de cima e ve tudo pequeno,
Quer ser capaz de manipular todas as coisas la embaixo
que de longe parecem caber na palma da mão.
Este com pavores e destemores.
Com amores de desamores.
Desajeitado em seu próprio corpo,
enrrolado na sua própria língua,
Preso aos seus próprios pés.
Quisera ser leve como pluma,
mas é pesado feito chumbo.
Assim como a preguiça de andar inventou a roda,
E a falta de juízo inventou a coça.
Assim como o frio inventou a coberta,
E a carne crua inventou a fogueira.
Não obstante veio a chuva e inventou o rio,
E foi-se a rua e inventou a curva.
Não tão tarde, o mar inventou a onda,
E o cacho inventou a uva.
Depois o bolo inventou o recheio,
E a friagem: o resfriado.
Bebeto: o voleio,
E o amante inventou o armário.
O pobre inventou a fome,
E a falta inventou a saudade.
O perto inventou o longe,
E a floresta inventou a cidade.
O astronauta inventou a lua,
E a música inventou o compositor.
A palavra inventou o poeta,
E o poeta inventou o amor.
"Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."
Mas o amor desinventou o poeta,
e a paz inventou a guerra.
Assim como o você inventou o sem mim,
Como todo começo inventa um fim,
.
[Texto em destaque: Mário Quintana "Bilhete"]
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